Por Cimberley Cáspio

o estouro da represa

Sou contra qualquer tipo de violência.E tenho certeza que as ferramentas do diálogo e no extremo,à justiça,são suficientes para resolver qualquer conflito.Mas na verdade,estamos acuados pela extrema violência oficial do Estado,onde infelizmente,não temos nem apoio sequer da justiça.Quer um exemplo?Tenta entrar com uma causa através da Defensoria Pública,seja do Estado,ou da União.Primeiro o chá de cadeira para esperar o atendimento por um recepcionista; depois,o recepcionista agenda o atendimento para o balcão,onde então vai-se abrir o processo – sendo que da recepção ao balcão,leva-se no mínimo,30 dias para ser atendido;consequentemente,entra-se no túnel do tempo,até a conclusão da causa.

Se está procurando emprego,é porque precisa ganhar dinheiro.Então por que ao fazer um concurso pra trabalhar,tem que pagar taxas caríssimas,afrontando a necessidade do trabalhador que está desempregado,e que precisa trabalhar?Quando o concurso está com vagas abertas,vale apena arriscar o pagamento da taxa de inscrição;e quando não há vaga,sendo somente para “cadastro de reserva?” E quando se passa no concurso,e não é chamado no prazo de 2 anos,por não ter tido simplesmente um QI (quem indique), influente? Resultado: pagou a taxa do concurso,passou no concurso,e perdeu o prazo de chamamento para que começasse a trabalhar. Prejuízo de dinheiro,e de tempo. O Estado ficou com o dinheiro da taxa de inscrição,e não devolve,a quem mais precisa.

Se vai tirar a Carteira de Motorista para trabalhar,o Estado cobra tudo.Paga-se a autoescola,paga-se o Duda,exame de vista e psicotécnico.Total de tudo: muito mais de mil reais.Para um trabalhador que precisa trabalhar,é uma fortuna.Se por uma infelicidade,não passar em algum dos exames,fica reprovado.Resultado: o Estado e a autoescola,ficaram com o dinheiro do trabalhador,e não devolvem a quem mais precisa.

Se um médico do SUS,cometer um erro profissional e prejudicar o paciente,em alguns casos,levando o mesmo à morte,o Estado protela o pagamento de indenização,e muitas vezes,retém permanentemente o precatório da mesma; onde a vítima do erro médico,ou a família da vítima,jamais verão qualquer indenização que seja.Lógico,tudo isso,com total apoio da justiça.

O povo pobre do país,não tem um apoio funerário oficial do Estado para enterrar um ente querido,onde muitas vezes,o enterro é feito com ajuda de parentes,ou,pedindo ajuda a um político próximo.

O Estado não assume a culpa indireta pelo prejuízo,ou morte de um cidadão vítima de roubo,ou assalto no país,onde no máximo,se fica com uma cópia do Boletim de Ocorrência nas mãos,e nada mais.Isso,quando a polícia está com boa vontade e permite fazer o Boletim,onde muitas vezes,nem fazer o Boletim de Ocorrência,é tão fácil também.

Se compra um carro para trabalhar,o Estado cobra tudo do veículo,antes mesmo,do trabalho começar: Duda,emplacamento,licenciamento nos órgãos rodoviários e vistoria.Por que não cobrar do trabalhador,depois que ele estiver trabalhando?

Se vai ao banco resolver um pequeno problema,tem que pegar senha,ficar na fila,e aguardar a vez do atendimento,onde muitas vezes,leva-se horas “preso” dentro da instituição bancária.Pior ainda se não for cliente.

O popular não tem acesso para falar com o Desembargador,não tem acesso para falar com o Juiz,o Defensor Público,o Prefeito,o Deputado,o Senador,não tem acesso para falar com o Delegado.

Se a exportação de nióbio,aparecesse nas contas do Estado,a nossa dívida externa,já teria sido paga,e teria sobrado troco.Claro,com o Estado impondo o seu preço,e não a Inglaterra ditando o valor do metal.

Detalhe: o Brasil é o único produtor de nióbio do mundo.

O Estado permite o envenenamento em larga escala na agricultura,com agrotóxicos e sementes transgênicas,vitimando milhares de pessoas com câncer,e não assume a responsabilidade pelo holocausto.

Os Black Blocs que são violentos?Arruaceiros? Não concordo também com o quebra-quebra de lojas e bancas de jornais,mas foi o Estado quem construiu mal à represa,e ao estourar,às águas vão levando tudo,indiscriminadamente.

Longe de mim,fazer aqui qualquer apologia ao crime. Como já mencionei acima,sou contra à violência,e muito mais ainda contra,os danos ao patrimônio público e privado.Mas será que o Estado não enxerga que o movimento Black Bloc é fruto do seu ventre?

Como diz o ditado:”semeou vento,agora colhe tempestade.” E pelo visto,há muito mais tempestade pra colher.

Não há razão no ato da tragédia,apenas à tragédia.Sinto apenas,pelos inocentes que estão no caminho dela.