Esse olhar que vagueia
No manto da solidão
Às vezes para em frente à porta
Em uma só direção.

Olhar que sempre olhava
As mangueiras verdejantes
Com suas copas opulentas
Dando sombra aos estudantes.
Olhar que um dia viu
Teu menino na calçada
Hoje rola e lacrimeja
No meio da madrugada.

Mãos que não pouparam esforços
Nem sacrifícios pesaram
Para instruir os jovens
Que naquela sala passaram.

Hoje essas mesmas mãos
Contam o terço calmamente
Pedindo Graças e saúde
Para os filhos que estão ausentes.

Teu rosário teu olhar
Tuas contas a contar
Sempre em direção à porta
Vendo gente a passar.

Gente que sonha e grita
Ri, chora e acredita
Que a vida vai mudar.

E tu o que esperas?
Olhando em frente à rua
De asfalto limpo e quente
De calçada fria e nua.

Há um ponto em comum
Entre a rua e tua vida
A rua está deserta
E tua vida esquecida.

A televisão levou
As rodadas da calçada
O tempo se encarregou
De parar tua caminhada.

Uma voz que hoje falha
Que foi altiva uma dia
Um vocabulário rico
Que hoje se distancia.

O teu andar hoje trôpego
Silencioso e cansado
Sente falta do homem forte
Que tu forte no passado.

Autora Raimunda Costa de Sousa, poetisa Maranhense, Residente no Povoado Campos Município de Goiatins Tocantins. Vencedora na categoria adulto do XIV FEPEARA (Festival Aberto de Poesia de Araguaína) de 2016