Fonte:PORTAL O NORTE
Um Policial Civil morreu nessa segunda-feira, 27, em Araguaína. De acordo com familiares ele foi diagnosticado com Calazar. Clênio Rodrigues Campos, tinha 36 anos e há um ano lutava contra a doença. Solteiro, Campos trabalhava há 6 anos como Policial Civil.

Números

Segundo o Centro de Controle Zoonoses (CCZ) de Araguaína, de janeiro a setembro deste ano, já foram registrados 1.582 casos de Calazar confirmados em cães da cidade. Em humano, até agora, foram contabilizados 39 casos positivos. Para o ser humano existe tratamento, mas o tratamento do Calazar em cães não pode ser realizado, por que, além de ineficaz, não é recomendado pelo Ministério da Saúde.

A prevenção ainda é a maior arma para combater a doença, mas em Araguaína a prefeitura municipal através do CCZ, tem encontrado dificuldades para enfrentar a endemia, isso porque de acordo com o órgão, pelo menos 800 famílias se recusam a entregar os animais, cujo resultado do exame sorológico do cão deu positivo e essa atitude representa um perigo à saúde de toda a população.

O ‘mosquito palha’ ou flebótomo (Lutzomyia Longipalpis) é o vetor do Calazar, sendo o responsável por infectar o homem e os cães. Por isso, a Prefeitura realiza a prova, contraprova a pedido e, caso seja diagnosticado como doente, volta para recolher o animal. “Quando o exame dá positivo, temos muitas dificuldades em recolher esses animais com seus proprietários. Geralmente, o dono não aceita ter que recolhermos o animal”, observa o coordenador técnico do CCZ, Admilson Modesto.

A doença

A leishmaniose é uma doença grave causada por um microorganismo (protozoário) denominado Leishmania. Ela também pode receber o nome de “calazar”, “doença de Bauru” ou “úlcera de Bauru”. O Norte e Nordeste do Brasil detém a maioria das ocorrências de leishmaniose, sendo consideradas regiões endêmicas do calazar, ou seja, a doença sempre está presente entre a população.

Os principais sintomas da Leishmaniose Visceral são escamação dos olhos e focinho, emagrecimento e desânimo, feridas nas orelhas, unhas grandes e queda de pelos. Outro fator importante é que o exame laboratorial no cão deve ser realizado com periodicidade anual. Já no ser humano, o diagnóstico precoce evita complicações que põem em risco a vida do paciente. Vale lembrar que os cães podem ficar infectados por meses e até anos sem apresentar os sintomas da doença.

Alerta

Segundo a prefeitura, em visita às residências monitoradas em Araguaína, agentes do CCZ procuram sempre orientar os donos de cães sob os riscos a que estão expostos a família e população em geral, por conta da doença e o coordenador do órgão reforça que as pessoas precisam se conscientizar e agir de forma preventiva: “Como o flebótomo se dissemina rapidamente, é necessário que a população comece a ter medidas preventivas dentro de casa, pois o mosquito precisa de umidade, matéria orgânica, áreas sombreadas e proteção do vento para sobreviver”, orientou Admilson Modesto.

Por isso, a importância das pessoas em cuidar de seus quintais, retirando as folhas, limpando as áreas embaixo das árvores frutíferas e denunciando as criações de animais, como porcos, galinhas, bois, éguas, mulas, jumentos e burros, proibidas em área urbana.

Recolhimento

As demandas também podem vir da população. Qualquer morador pode solicitar por telefone o recolhimento de cães doentes em casa. O serviço de recolhimento é gratuito e é realizado diariamente pelo CCZ. Atualmente, o Centro de Controle de Zoonoses conta com dois veículos para suprir a demanda de solicitações da população. Além disso, equipes da infraestrutura atuam em ações e mutirões contínuos de combate ao ciclo do Calazar. Mais informações podem ser obtidas através do 0800-646 7020 e do telefone (63) 3411-7040. (Com informações da Prefeitura de Araguaína)